Banda Oriente | Rap Nacional sofisticado e com essência

A banda Oriente apresenta uma formação peculiar. Além disso, eles conseguem fazer abordagens diferentes dentro do Rap. Oi, como assim? […]

A banda Oriente apresenta uma formação peculiar. Além disso, eles conseguem fazer abordagens diferentes dentro do Rap. Oi, como assim? Vamos contextualizar!

O cenário nacional do Rap passou por uma evolução nos últimos anos. No início, tínhamos as batidas bem marcadas, melodias de samples de músicas Disco e Soul e letras que faziam críticas sociais e problematizavam o Brasil (especialmente representando periferias). Aliás, os arautos do Rap br ainda são bem conhecidos: Racionais Mc’s, RZO, Facção Central, etc. Ora, claro que cada um tinha o seu som, mas a fórmula geral era bem mais ortodoxa do que é hoje. Enfim, você pode comparar o início de “Slippin’ Into Darkness” com “Capítulo 4, Versículo 3” dos Racionais Mc’s. O sample está lá, a batida marcada e a crítica social também.

Todavia, progressivamente o Rap começou a incorporar outras coisas. São tantos gêneros  e subgêneros como Samba, Rap, R&B, Rock, Punk, Blues, EDM (Eletronic Dance Music), Sertanejo Universitário, Funk, Reggaeton. Portanto, é difícil você pegar um artista de sucesso e dizer: isto é apenas Rap (o pessoal que curte catalogar tudo pira). Quer dizer, o Rap ainda é o Rap, mas hoje ele pode abordar diferentes temas com diferentes sonoridades. E a banda Oriente consegue representar isso.

 

Uma formação diferenciada

Em 2008, Geninho estava participando de um duelo de Rap em Niterói, Rio de Janeiro. Enquanto ele mandava um beatbox, inusitadamente, Nobru começou a tocar violino e se juntou a ele. Os Mc’s Chino e Nissin acompanharam tudo e no final da apresentação foram conversar com a dupla. Assim surgiu o Oriente. Aliás, a contribuição de cada integrante é exatamente o diferencial da banda. “Além de termos quatro integrantes, cada um com referências próprias, um deles é violinista. E não só, é multi-instrumentista e nosso produtor”, disse Nissin em entrevista ao Globo Cultura.

Contudo, a grande diferença não está na sonoridade. O Oriente até apresenta uma complexidade sonora com violinos na “Yin-Yang” e “Refém”. Porém o ponto é: o último álbum deles fala sobre amor, crítica social e espiritualidade com a melodia certa para cada assunto. Ou seja, o melhor da banda é a relação perfeita em o que e como abordam os temas das músicas.

 

 

A banda Oriente na rima com romance

Acredito que este seja o aspecto que mais ganhou força no Rap Nacional nos últimos anos: o romance (na moral, é o que eu menos gosto).  Com certeza você já usou “Ela Só Quer Paz” do Projota em alguma legenda de foto ou viu por aí. Afinal, esta música apresenta um grande grau de identificação entre quem escuta. A banda Oriente também apresenta rimas românticas. “O Vagabundo e a Dama”, por exemplo, busca assumir uma forma meio “Faroeste Caboclo” do Rap.

Aliás, na maioria dos sucessos da banda rola esse tipo de abordagem. Como na “Linda, louca e mimada”. Em versos como “Ela só quer viajar, ela só quer viajar / Da night pra praia, da praia pra casa, da casa pro lar”, você pode pegar esse Rap mais de romance.’

 

 

Espiritualidade e fé se fazem presentes

O Rap cumpre um papel fundamental socialmente. Nos anos 80 e 90, ele abordou temas como pobreza e violência nos guetos, algo que, em geral, as pessoas se faziam de cegas. Hoje, eu acredito que nossa sociedade se faz de louca com assuntos como amor ao próximo e empatia.  Aí surge um problema para o Rap apontar. Afinal, o Rap é a mensagem.

Neste contexto, a melhor música da banda Oriente  para representar isto é “Oriente-se” com participação do Criolo. Com um flow consistente na rima enquanto a batida progride bem junto, a música passa uma mensagem de conscientização bem legal (“Se o sol não fosse nascer / Se a lua não fosse brilhar / Eu vou lutar / Pelo amor que existe entre eu e você”). Além de pregar o amor como máxima, a letra também aborda fé e espiritualidade em versos como “respeito, fé, prosperidade / amor ao próximo / necessidade / arte em prol da liberdade / música pra eternidade “.

 

 

Rap raiz no repertório

Contudo, mesmo apresentando outras abordagens nas músicas, a essência do Rap Nacional também está um pouco presente no som do Oriente. Na música “Isso é R.A.P.”, os versos “eles nunca gostaram de nós / tamo por todo lado / no fone ou no rádio / o som que a rua faz”, dá para perceber como eles adotam o estilo raiz. Nós contra eles, a voz de quem não tem voz, a vitória sobre a marginalização. Algo que, como já conversamos, está na raiz do Rap Nacional.

Além disso, o verso final prova que a banda Oriente é consciente da dimensão do Rap e o seu papel dentro dele: “O RAP não é lugar de reis / eu não seria nada / se a velha escola não fizesse o que ela fez”. Quer dizer, é importante entender a história do que você representa, afinal, isto é o que separa os touros dos bezerros.

 

 

Na moral,  o que esperar do show

O Oriente não me parece um grupo inovador e revolucionário no Rap Nacional. Contudo, devido a sua formação peculiar, o som deles é mais sofisticado. Além disso, consegue abordar diferentes temas com a sonoridade certa. Portanto, o show que rola no dia 27 de setembro, no Bar Opinião, é uma oportunidade de apreciar um Rap sofisticado com diversidade nos temas.

O Bar Opinião abre às 21h30, a classificação é 16 anos e ainda tem ingresso à venda.

 

SOBRE O AUTOR

Everton Ferreira

Estudante de Jornalismo que acredita que sua vida é um roteiro de cinema.

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