Coringa: loucura e humanidade na nova origem do vilão

“Coringa”, dirigido por Todd Philips e estrelado por Joaquin Phoenix, estreia hoje, dia 3. Filme apresenta nova origem para um […]

Coringa”, dirigido por Todd Philips e estrelado por Joaquin Phoenix, estreia hoje, dia 3. Filme apresenta nova origem para um dos vilões mais conhecidos da cultura pop.

Quando começaram as especulações e entrevistas com a produção antes do lançamento, já ficamos sabendo que o filme traria uma origem diferente das já conhecidas. Confesso que isso me deixou receosa, uma vez que, com exceção da trilogia Nolan (“Batman Begins” (2005), “Batman Cavaleiro das Trevas” (2008) e “Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), filmes que sou muito fã), a DC não costuma fazer filmes muito profundos ou questionadores. Porém, quando saiu o trailer, voltei a ficar muito ansiosa para o lançamento.

Falando em ansiedade, “Coringa” é um filme que nos deixa tensos o tempo inteiro. Ambientado na tradicional Gotham City, por volta dos anos 80, o longa traz uma sociedade decadente, sucumbida pela sujeira e criminalidade, em que as pessoas buscam desesperadamente encontrar culpados para seus problemas. Ademais, questões como saúde mental e desigualdade social, são problemas presentes e tratados de forma muito negligenciada.

Neste cenário, Arthur Fleck trabalha como palhaço durante o dia e tenta a vida de comediante à noite, sem sucesso. Sem pai, ele cuida e mora com sua mãe, que praticamente é sua única companhia. Além disso, ele sofre de um distúrbio mental que faz com que ele dê risada descontroladamente, nos momentos mais inoportunos. As cenas em que Arthur tenta desesperadamente parar de rir são perturbadoras. A atuação perfeita de Joaquin Phoenix começa pela dor nos olhos do personagem, principalmente nesses momentos. O filme nos ataca e perturba muito antes de qualquer cena de violência.

Referências a filmes de outros gêneros

Como qualquer grande obra, já imaginava encontrar muitas referências de outros filmes. Obviamente, isto não é diferente em “Coringa”. Porém, o filme relembra clássicos de outros gêneros, e não outros filmes do Batman. “Taxi Driver” (1976) e “O rei da comédia” (1981), ambos com Robert de Niro e ambos dirigidos por Martin Scorsese, aparecem sutilmente em vários momentos. Seja na semelhança dos personagens de De Niro – que interpreta o comediante ídolo de Arthur – como na atmosfera tensa de “é para rir, mas não é engraçado”.

Outro detalhe interessante do filme é a trilha sonora. Praticamente todas as canções presentes falam justamente sobre “sorrir”. Entre elas temos “Smile” de Jimmy Durante. Escrita por Geoffrey Parsons, John Turner e Charlie Chaplin, a faixa foi lançada em 1936, no filme “Tempos Modernos” (que é mencionado sutilmente no filme, aliás).

O “Coringa”, de Joaquin Phoenix

Com certeza a maior parte da genialidade de “Coringa” deve-se à atuação perfeita de Joaquin Phoenix. O ator, que emagreceu mais de 20kg para viver o papel, traz ao público toda a sombra de um ser humano desajustado, porém profundamente esforçado. O filme é sombrio, é muito diferente de qualquer outro filme de herói que já vimos. Não é sobre heróis ou vilões, é sobre a dor e a decadência humana. Além da construção perfeita do personagem, “Coringa” ainda revela o motivo do vilão ter tantos seguidores em Gotham.

Não vou me estender agora para não dar spoilers mas o que posso dizer é: a trama traz MUITA conexão com Batman, a família Wayne e deixa muitas portas abertas para continuações. Ah, e o filme não tem cena pós-créditos.

Tive a oportunidade de assistir “Coringa” um pouquinho antes do lançamento, e por mais que pareça cedo para afirmar: é o melhor filme que vi este ano. Acho cedo” porque ainda quero rever muitas vezes para perceber melhor alguns detalhes.  Tem que assistir atento(a) porque tem diversos “plot twists”.

Assista ao primeiro trailer revelado

Estão ansiosos para assistir?

 

SOBRE O AUTOR

Maria Eduarda Michael

Apaixonada por shows e pelo U2.

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