Direitos Autorais | A polêmica que envolve Aretha Franklin

Saiba como os direitos autorais foram uma polêmica na carreira de Aretha Franklin e como “Respect” pode significar um marco na legislação no mundo da música.

Aretha Louise Franklin. Nascida em Michigan, mas criada em Detroit. Durante toda a sua trajetória, Miss Franklin foi sinônimo de luta, resistência e empoderamento, afinal, ela era mulher e negra. Contudo, a palavra empoderamento anda de mãos dadas com “Respect”, uma das canções mais famosas cantadas por Ms. Franklin. E também uma das músicas mais polêmicas quando o assunto envolve direitos autorais (oi?) e que não rendia tanto dinheiro para Aretha Franklin (que?!).

Você pode não acreditar, mas todas às vezes que “Respect” tocou nas rádios, Aretha Franklin não ganhou um tostão. Todo o dinheiro caía no bolso de Otis Redding, o cara que escreveu a música. Em outras palavras, isso acontecia porque as leis de direitos autorais dos EUA prevê que apenas os compositores das músicas sejam pagos pelas reproduções em rádios das músicas.

 

Calma. Como é isso de direitos autorais?

De maneira simples, quando alguém cria algo ele é proprietário daquilo. Por exemplo, se eu escrevo uma música, eu tenho os direitos sobre ela. Embora eu possa vender os direitos patrimoniais (é aqui que rola o dinheiro), os direitos intelectuais (é aqui que rola a criatividade) vão ser sempre meus. Na verdade, você já deve ter visto rolar uma treta assim com alguma dupla sertaneja: eles compram a “letra da música” e não dividem os lucros depois que fazem sucesso. Ou tipo o Fernando & Sorocaba que brigaram até pelos direitos do nome da dupla – sendo que nenhum dos dois se chama Fernando e nem Sorocaba.

Mas a treta com a Aretha Franklin é sobre direito de performance. Isto é, ela não escreveu a música, mas tornou ela muito popular NA VOZ DELA (fala sério, você nem sabia quem era Otis Redding até eu citar ele ali em cima). Isto fez a música bombar nas paradas e ser reproduzida direto nos rádios.

Enquanto a voz de Aretha Franklin ganhavam o mundo, o bolso dela ganhava só o ar.

Confere aí um “dueto” de Franklin e Redding. Algum gênio misturou as duas versões.

 

 

Então essa coisa de direitos autorais deixou na pior?

Ah meu deus, isso quer dizer que a Aretha Franklin ficou pobre por essa lei dos EUA? Não, meu anjo, pobre somos nós. Ms. Franklin era uma diva que hoje canta com os anjos. Embora ela não tenha recebido das rádios, ela vendeu muitos discos e lotou muitos shows (afinal, “Respect” abriu portas para ela). Aliás, só no Spotify, esta música tem 160 milhões de reprodução, e as empresas de streaming pagam direito de perfomance. Além disso, ela se tornou uma personagem imortal e simbólica dentro da música e o ativismo social.

Contudo, nós precisamos conhecer as leis. Aretha Franklin tinha um talento (sobre)natural para música que lei nenhuma poderia calar. Mas qualquer outro artista teria morrido na praia. Porém seria justo com Otis Redding?

Aí eu faço a Gloria Pires.

SOBRE O AUTOR

Everton Ferreira

Estudante de Jornalismo que acredita que sua vida é um roteiro de cinema.

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