O Doutrinador | Entrevista com o protagonista Kiko Pissolato

Primeiro filme de super-herói brasileiro, “O Doutrinador” estreia no dia 1º de novembro. Nós conversamos com o ator que dá vida a ele!

“O Doutrinador”, o primeiro filme de super-herói brasileiro, já foi até tema de post aqui no site da Mix FM Poa. Mas precisamos falar mais dele. Porque é algo inédito no nosso cinema. Porque estamos ansiosos. Porque entrevistamos o protagonista do filme, Kiko Pissolato. Mas antes de qualquer coisa, já fica um aviso: o filme teve sua estreia adiada. Antes previsto para 20/09, agora o lançamento será no dia 1º de novembro. Já anota na sua agenda!

 

O Doutrinador

Mas você se lembra do mote do filme? É o seguinte: Miguel é um mestre em artes marciais, perito em explosivos e agente federal, que muda completamente quando a sua filha se torna vítima de uma bala perdida. Contudo, após a tragédia, ele passa a ter um só objetivo: exterminar todo e qualquer corrupto. Então ele se torna O Doutrinador.

 

O Doutrinador

Inspirado na HQ de mesmo nome do Luciano Cunha, que inclusive colabora com o roteiro, o filme é dirigido por Gustavo Bonafé. Além de Pissolato no papel principal, traz no elenco nomes conhecidos do grande público como Eduardo Moscovis, Helena Ranaldi e Marília Gabriela, entre outros.

 

O Doutrinador

Mas vamos falar do protagonista. Kiko Pissolato tem 38 anos de idade e está na carreira de ator profissional há quase 15 anos. Já atuou em outros filmes, peças de teatro, novelas e séries. Nas telonas, esteve no elenco de “Os Dez Mandamentos”, que se tornou o filme com maior bilheteria da história do cinema brasileiro, com mais de 11 milhões de ingressos vendidos.

 

O Doutrinador

Já na televisão, seu maior destaque foi Maciel, personagem que interpretou em “Amor à Vida”. Na novela de 2013 da TV Globo, seu personagem era o motorista dos personagens de Antonio Fagundes e Susana Vieira, que depois se casava com a patroa, após ela se divorciar do marido. Na época, o romance dos personagens gerou muitos comentários.

 

O Doutrinador

“O Doutrinador” marca uma fase muito especial na carreira de Kiko, não só porque ele vive seu primeiro protagonista nas telonas. Foi um pouco sobre isso, além da expectativa do lançamento e da preparação para o personagem, que conversamos por e-mail com ele. Confere aí.

O Doutrinador

Conta um pouco como surgiu a oportunidade de fazer esse papel e como foi a tua preparação. Sabemos que, um tempo antes das gravações, você passou por um período bem complicado, com várias cirurgias após um atropelamento. Isso dificultou alguma coisa nas cenas de ação?

Eu havia conhecido o Doutrinador por meio de um amigo escritor, Pedro Ivo, que me contou sobre a possibilidade da HQ virar filme. Ele ainda comentou que o personagem era a minha cara. Eu estava de muletas me recuperando de quatro cirurgias no tornozelo e nem sonhava em fazer o filme, mas tive curiosidade em conhecer o trabalho do Luciano Cunha. Então o tempo passou e estava no teatro, ainda buscando minha forma de volta e recebi o convite para o teste do filme. Fui aprovado e busquei me preparar fisicamente, estava muito abaixo de meu peso ideal.

Fiz muito trabalho de musculação e também voltei a treinar luta. Me preparei com o mestre Gava de Sytema (arte marcial Russa) e também curso de tiro com Marcelo Carettoni. Fiz questão de fazer o máximo possível das cenas de ação e participei em torno de 90% delas. Dirigi carro, moto, lutei e corri. Só a parte de Parkour que não tive como fazer. O Vance Poubel foi quem fez. Foi muito prazeroso poder fazer tudo e me sentir plenamente recuperado!

Você já fez algumas novelas, séries e filmes, inclusive tendo bastante destaque e contracenando com grandes nomes como a Susana Vieira e o Antonio Fagundes. Mas o Miguel/Doutrinador é teu primeiro protagonista no cinema. Como é chegar nesse momento da tua carreira?

Cada trabalho é especial e lógico que fazer um protagonista no cinema é um sonho. Mais ainda sendo um filme de ação, uma HQ! Mas no fundo é sempre mais um trabalho apenas. Nossa profissão é só mais um meio de nos desenvolvermos enquanto seres humanos. E graças a Deus eu trabalho com que amo e sempre vira diversão!

O Doutrinador
Na composição do teu personagem, você se inspirou em alguém? Quais teus super-heróis ou anti-heróis favoritos das HQs e dos filmes?

Eu me inspiro sempre na observação e no trabalho de estudo que sempre mantenho. Ator deve sempre estar se alimentando. O que fiz de específico foi rever alguns filmes de herói e ação, como Wachtmen, Batman (trilogia com o Christian Bale), e a série The Punisher. E estes, junto com o Logan, são meus favoritos. Embora o universo Marvel atual seja incrível! Amei o Guerra Infinita!

O país não tem uma tradição em filmes de ação em si, muito menos com super-heróis. Neste ano mesmo, estreou “Uma Quase Dupla”, com o Cauã Reymond e a Tatá Werneck, mas era ação com uma pegada bem forte de comédia. Qual é a expectativa de vocês principalmente diante de tanta demanda desse tipo de filme vindo de fora?

A minha expectativa é a de conseguirmos de fato abrir um novo mercado para o profissional brasileiro. Temos inúmeros roteiristas, artistas e técnicos de gabarito no Brasil, porém precisamos de uma indústria estabelecida. E tendo um novo gênero sendo aberto e fazendo sucesso, nos aproximamos mais dessa realidade.

O Doutrinador
O filme chega aos cinemas em ano de Eleições e quando a corrupção parece já estar enraizada no nosso país. Você acha que a estreia de “O Doutrinador” em tempos sombrios assim pode ajudar o povo a combater a corrupção de alguma forma ou mesmo se conscientizar melhor, especialmente o público jovem? Foi proposital o lançamento justamente nesse período?

A sociedade tem se politizado mais a cada dia, por conta de facilidade de discussão via redes sócias e por necessidade. Nossa sociedade precisa mudar por completo e não apenas na parte do políticos. Precisamos matar a corrupção dentro de nós. Porém o filme provocará um descarrego emocional, uma catarse na população que tanto sofre nas mãos desses corruptos que controlam nosso país a séculos. E sim, lançar em meio a (um período de) eleição é provocar ainda mais a discussão. Esse é o papel da arte!

Não queremos saber nenhum spoiler do filme, mas a HQ já deixa claro que o Doutrinador não tem dó dos políticos corruptos do país. O que o Kiko, no entanto, como pai e artista, já que a arte também vem sendo pouco valorizada no país, teria a dizer aos políticos?

Para esses políticos todos que estão aí só tenho a dizer “Adeus! Tchau!”. Neles não podemos mais confiar. É preciso trocar a maioria. E precisamos mudar nosso microcosmo e nosso interior. Deixarmos de ser corruptos nas pequenas ações e não esperamos que o governo resolva tudo. Sociedade corrupta, governo corrupto!

O Doutrinador
Já ficamos sabendo que “O Doutrinador” ganhará também uma série de TV em 2019. Adianta aí pra gente, se puder, é claro: nos cinemas já podemos esperar por uma continuação também?

A série de fato vai acontecer, filmamos junto com o longa e entrará na grade do Space HD em 2019. Quanto à continuação, ainda é cedo pra falar, mas espero que tenha!

 

O Doutrinador

Legal, né? A gente agradece pelo papo ao Kiko, que ainda deixou um recado:

Convido a todos para a maior catarse do cinema nacional em 2018: O Doutrinador. Nossa estreia será em 1º de novembro!

Então já temos um encontro marcado com esse justiceiro, que vai por a ordem na casa – ao menos na ficção. Mas na vida real cabe a nós sermos um pouco “doutrinadores” com o poder do nosso voto. Porque, como disse o Kiko, a arte está cumprindo o seu papel, que é nos fazer pensar e também agir.

SOBRE O AUTOR

Lucas Adolfo

Escrevi meu primeiro livro (de muitos, espero) aos 10 anos e me formei publicitário aos 20. Espero que com 30 ganhe um Oscar - ou vire comentarista da premiação na Globo, pois acho que sou capaz de opinar. Um beijo pra Glória Pires!

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