O crime quase perfeito de Um Contratempo

Um filme para quem gosta de desvendar pistas e tem um bom sistema cardíaco. Afinal, não existem coincidências em um crime.

O filme espanhol lançado em 2017 é um verdadeiro exercício cardíaco e instiga nosso melhor lado Sherlock Holmes. O longa está disponível no catálogo da Netflix e conta a história de Adrián Dória, um empresário famoso que está sendo acusado de ter matado a amante.

Antes de tudo, é bom você estar preparado para a quantidade de  reviravoltas inesperadas que o filme têm. Apesar disso, ele segue uma linha clássica do gênero: o sujeito, que se diz acusado injustamente por um crime, narra a sua história para um terceiro, nesse caso a advogada.

Não existem coincidências em um crime

A primeira coisa que você precisa saber é que nesse universo coincidências não existem.  

Tudo começa quando Dória e a amante Laura se envolvem em um acidente de carro voltando de um encontro amoroso. Enquanto os dois discutem, um cervo atravessa a estrada e Adrián perde a direção do carro. Ele e Laura não sofrem nenhum ferimento, mas o rapaz que dirigia o outro veículo acaba morrendo no local.

Laura (Barbara Lennie) e Adrián Dória (Mario Casas) minutos antes do crime.

Laura (Barbara Lennie) e Adrián Dória (Mario Casas) minutos antes do crime.

A partir disso começam as mentiras. Para manter seus nomes limpos e seu caso em segredo, os dois se veem obrigados a encobrir o crime. Tudo parece ter dado certo até que Ádrian recebe uma mensagem anônima de alguém que sabe o que realmente aconteceu. Isso os leva até o local onde Laura irá ser encontrada morta e o empresário passará a ser acusado de homicídio.

Dória narra esses acontecimentos para Virginia Goldman, a advogada que irá elaborar sua defesa. Experiente, ela encontra diversos furos na história e pede para que ele se atente aos detalhes do crime – essa é a dica que eu deixo para você: fique de olho nos detalhes.  

Do que é feito um crime

Então, essa versão que eu contei anteriormente é só o começo. O diretor Oriol Paulo usou e abusou das reviravoltas. A cada nova passagem a história se amplia e revela-se outra camada sobre ela, e outra, e mais outra, até chegar o ponto de você não saber mais em qual realidade está. No momento em que você achar que finalmente descobriu a verdade sobre o crime, o filme mostra outro fato que muda tudo.

Não, esse não é o cadáver.

Não, esse não é o cadáver.

Para deixar o clima mais tenso, a direção de arte apostou nas cores frias com tons de verde e cinza. Além disso, a atriz que interpreta a Virginia (Ana Wagener) tem um talento incrível. Ela contribui muito para deixar as cenas ainda mais pesadas e tensas. Acredito que o envolvimento que tive com o filme, em grande parte, foi por conta dela. Apesar de se esperar que fosse do ator principal. Ao longo da história, são apresentados novos personagens com ligações ao crime, mas não vou falar sobre eles porque corre o risco de eu te dar um spoiler.

Ana Wagener dando um show de atuação.

Ana Wagener dando um show de atuação.

No fim, posso dizer que Um Contratempo é um filme para quem gosta de decifrar pistas. Eu só entendi o que realmente aconteceu na cena final, mas se você tiver um pouco mais de estrada em filmes de suspense, pode se decepcionar. As surpresas reveladas ao longo da história, na verdade não passam de antigas novidades. O final, apesar de surpreendente, não traz nenhuma novidade para o gênero. Apesar disso, eu super recomendo o filme, principalmente pela sua narrativa envolvente – mas não assista dublado, é muito decepcionante, sério. Alguns críticos também afirmam que Oriol se deteve bastante as lições de Hitchcock. Eles inclusive afirmam que o diretor foi homenageado em uma das cenas.

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Se até agora não consegui te convencer a assistir, deixo aqui um desafio para te motivar: descobrir o verdadeiro crime, antes do fim. Lembre-se da dica que eu dei antes: fique de olho nos detalhes.

SOBRE O AUTOR

Eduarda Toledo

Estudante de Jornalismo, apaixonada por Artes Cênicas e, agora, blogueirinha.

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