O filme A Bruxa não dá medo nenhum e vou provar isso!

Você já assistiu o filme a Bruxa? Sentiu algum medo? Eu não e vou provar isso para você!

Por Éverton Ferreira

A Bruxa (2016) é um filme de terror mais psicológico do que sobrenatural. Não vá assistir esperando uma série de sustos, mortes terríveis e criaturas monstruosas. Aliás, o monstro do filme aparenta estar no delírio de cada personagem, no medo do que cada um acredita. Ou seja, A Bruxa dá mais desconforto do que medo, uma característica de filmes de horror às vezes esquecida.  Para assistir ao filme de Robert Eggers, você só precisa de duas coisas: não matar as aulas de História sobre período de colonização inglesa e 90 minutos sobrando no seu dia.

Okay, mas por que eu assistiria um filme de terror que não dá medo? O que eu tenho a ver com uma família inglesa supersticiosa?

É verdade que todo filme de terror merece uma imersão na escuridão, mas A Bruxa precisa disso. Durante o filme, o espectador é conduzido por cenários de poucas cores e muitas sombras. Há sombras distorcendo paisagens e rostos, camuflando o mal e escondendo o bem. Isso acaba em uma mistura de Morte Negra (2010) com Gabinete do Dr. Caligari (se você matou as aulas de Artes, estou falando do Expressionismo). Com isso, dá para entender que a escuridão não é só estética, mas narrativa.

Morte Negra (2010) e A Bruxa (2016)

Morte Negra (2010) e A Bruxa (2016)

Aliás, a história é simples: tudo se passa no século XVII. Uma família é banida de uma colônia inglesa em solo americano. Acusados de heresia – práticas que contrariam ou negam a ideologia da Igreja – eles se retiram para viver na margem de uma floresta, onde todos acreditam haver algo terrível. Logo em seguida, o sumiço de algumas crianças leva a família a acreditar que existe um ser sobrenatural que assombra a região. Esse mistério lembra um pouco o clássico do Tim Burton A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999), mas com a sensação de um suspense perturbador de O Bebê de Rosemary (1968).

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Em meio ao caos, fiquei confuso: existe mesmo a bruxa ou isso é parte da loucura? Através de cenas que mais insinuam do que revelam, como crianças brincando com um bode, o filme deixa a dúvida (mesmo que, de fato, apareça uma bruxa na tela). Pode ser algum dos personagens ou apenas uma figura de linguagem para a insanidade da época onde todos os erros são pela falta de Deus no coração? Por exemplo, se a plantação da família vai mal, significa que o solo é amaldiçoado.

A representação do feminino é um dos aspectos que mais chama a atenção. As mulheres aparecem com diversos sentidos: poder, desejo, pecado, submissão e ameaça. Como nas cenas em que o irmão olha a irmã com segundas intenções, ou o fato de ela fazer boa parte do trabalho e despertar brigas entre seus pais apenas por existir. Na real, dava para fazer um TCC (deus me livre) sobre todas as pautas do filme (mas quem me dera). Assiste aí e diz para nós o que achou.

SOBRE O AUTOR

Nicolas Esquirio

Publicitário em andamento, editor do blog Pixelados, faço dois podcasts bem maneiros e dois canais!

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