Gosto quando me deixam sem palavras, me faz respeitar elas ainda mais – Vida de Bardo

Para você as palavras podem salvar seu dia?

Engraçado como as palavras funcionam, como trabalham, se encaixam;

aprendi a respeitá-las com o passar do tempo, não que tenha passado tanto tempo assim,

síndrome do velho novo, acho;

mas o respeito por elas existe. Não pelas palavras em si, mas pelo que simbolizam em suas raízes;

o significado por trás delas,

suas intenções,

suas verdades.

Além do respeito, tenho amor por elas;

elas me movem, me mantém focado, me nutrem;

procuro nelas o conforto em um dia cinza, o seu afago, o seu carinho.

Por isso fico surpreso quando elas me faltam, quando fico sem palavras,

sem saber exatamente o que dizer, o que escrever.

Assim como alguém que conheço, às vezes me vejo perdido.

Me sinto isolado.

Acho que todos habitamos elas, vez ou outra.

Nossas próprias ilhas desertas;

nossos próprios medos transformados na areia que nos isola do mar de pessoas desconhecidas que – apenas – transitam nossas vidas.

Mas nem todas – apenas – transitam por nossas vidas.

Vez ou outra é interessante se lembrar disso, saber que a ilha é um refúgio provisório, não fixo.

Um trampolim, não a piscina.

Saber que as palavras uma hora voltam. Com elas?

As pessoas.

As que importam, não as que apenas transitam.

O carinho volta junto.

Gosto quando me deixam sem palavras,

me faz respeitar elas ainda mais.

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Vida do Bardo #8 — Eu Vejo Você

Vida do Bardo #7 — Achados e Perdidos

SOBRE O AUTOR

Guilherme Martins

Escreve coisas e deixa o cabelo crescer de vez em quando. Publicou seu primeiro livro ano passado, uma coletânea de contos intitulada Os Fantasmas de Lídia.

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