Rap brasileiro de 1997 confirma dados atuais sobre violência contra jovens negros

A música Capítulo 4, versículo 3 dos Racionais MC’s lançada há 21 anos retratou realidade vivida até hoje no Brasil

Que as músicas contam histórias nós sabemos, mas você lembra quando o grupo de RAP Racionais Mc’s contou e cantou a realidade dos negros no Brasil em 1997 na música Capítulo 4, versículo 3?

“Sessenta por cento dos jovens de periferia sem antecedentes criminais

Já sofreram violência policial

A cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras

Nas universidades brasileiras

Apenas dois por cento dos alunos são negros

A cada quatro horas, um jovem negro morre violentamente

Em São Paulo

Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente”

Novembro, o mês da consciência negra, nos atenta a olhar e refletir sobre a desigualdade que negros enfrentam nas mais diferentes camadas da sociedade. O trecho acima narra dados que se referem a situação de negros em 1997, descrita pelo grupo brasileiro de RAP Racionais MC’s fundada em 1988, considerados até hoje uma das bandas mais influentes do país. O grupo denunciava constantemente a realidade marginalizadas vividas nas favelas brasileiras em suas músicas.

21 anos depois a BBC news Brasil analisou os dados comparando os a dados atuais. No trecho em que diz que “três em quatro pessoas” que são mortas por forças de segurança são negras, surpreendentemente continuam os mesmos! O Fórum Brasileiro de Segurança Pública concluiu que 75% das intervenções policiais acontecidas em 2015 e 2016 terminou com a morte de negros (pardos e pretos), ou seja, 3 em 4 dos casos, exatamente como na música.

racionais

Em outro trecho, o Primo Preto afirma que a cada quatro horas “um jovem negro morre violentamente”. No final dos anos 90, quando a música foi composta, São Paulo vivia um período mais violento que o atual –  em termos de assassinatos. A taxa de homicídios, para aquele ano era de 36 para cada 100 mil habitantes segundo o Atlas da Violência,  do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2016 houve uma queda de 10,88 a cada 100 mil habitantes. Hoje a morte de jovens negros no mesmo cenário é de 2,05 pessoas por dia, representando 0,34 pessoas a cada quatro horas, demonstrando um número bem menor do que o trecho da música.

Mas, em um cenário maior, jovens negros e brancos entre 15 a 29 anos, o Fórum de Brasileiro de Segurança Pública indicou que há um risco maior em relação a morte de jovens negros. A pesquisa mostra que jovens negros têm 2,71 mais chances de morrer por homicídio no Brasil. Isso pois analisado sobre a perspectiva dos estados com maiores casos de homicídios, jovens negros de baixa renda e com pouco acessibilidade à educação são mais vulneráveis.

Racionais-rap

No trecho onde diz que nas “Universidades brasileiras apenas 2% dos alunos são negros”, 21 anos depois há uma grande mudança, Segundo o IBGE, em 2015, o dado mais recente disponível, 30% das pessoas com nível superior completo eram pretas ou pardas. Os brancos representam muito mais – 68% do total.

Essa inclusão é fruto da política de cotas e bolsas e financiamentos para estudantes de baixa renda, como FIES e PROUNI.  Ainda assim, negros têm participação menor do que brancos em outros índices de educação, como por exemplo o acesso ao ensino médio. No ensino médio, segundo o levantamento da ONG Todos Pela Educação de 2017, 75,7% dos brancos estão frequentando a escola, enquanto negros representam 62%.

Essas comparações são feitas a partir da reflexão de uma música composta 21 anos atrás, e que ainda hoje serve para repensarmos nossa realidade. É importante analisarmos avanços e avaliarmos carências. Através do que ouvimos podemos criar senso crítico, podemos olhar para nosso cotidiano e enxergarmos as camadas da nossa realidade, daqui há alguns anos como serão esses mesmos dados?

Por: Mônica Chaves

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46202282

 

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