Roger Waters em Porto Alegre: emoção apoteótica

Roger Waters trouxe o gigantesco espetáculo da turnê “Us + Them” para o estádio do Beira-Rio no último dia 30 […]

Roger Waters trouxe o gigantesco espetáculo da turnê “Us + Them” para o estádio do Beira-Rio no último dia 30 de outubro. Show encerrou a passagem extensa e polêmica do cantor pelo Brasil. Tratando-se de Roger Waters (e pelo tamanho da estrutura do palco), já era de se esperar um show repleto de efeitos visuais, surpresas e declarações políticas. Porém, foi muito mais do que isso. O que o tradicional ex-vocalista do Pink Floyd promove é uma viagem emocional. Uma experiência sensorial e intensa. Ademais, a abertura foi feita pelo tradicionalista Renato Borghetti.

Uns quinze minutos antes de começar o show, o extenso telão projetava um filme de uma mulher sentada em frente a uma praia ensolarada. Em seguida, esse mesmo sol era coberto por uma explosão vermelha e densa. Sendo assim, a mudança na atmosfera caracterizava a entrada dos músicos com “Breathe“. É interessante como ao longo do espetáculo, a música não é a única protagonista.

“Us + Them” é uma turnê inspirada no disco “The Dark Side of The Moon”, do Pink Floyd de 1973.

É natural que a maior parte do setlist seja da antiga banda de Waters. No primeiro bloco isto é evidenciado em “Time” e na emocionante “The Great Gig in The Sky” – onde a dupla de backing vocals rouba a cena. Um dos momentos mais marcantes deste primeiro bloco foi a apresentação de “Wish You Were Here“, do disco homônimo de 1975. Além disso, a canção foi ecoada de uma forma emocionante pelo público presente. Outro momento de grande participação da plateia foi em “Another Brick in the Wall – part 2“. Neste momento, diversas crianças subiram ao palco vestindo macacões laranjas, similares aos dos presidiários americanos, e com capuzes pretos cobrindo o rosto. Ao tirar os capuzes, cantavam a parte final do refrão, e em seguida mostravam a camiseta com a palavra “Resist” (resistência).

Após esta apresentação, Roger Waters anunciou um intervalo de quinze minutos. É neste momento que o telão passa a exibir mensagens sobre tudo aquilo que o artista acredita que as pessoas deveriam resistir: preconceito, fascismo, tortura, devastação do meio ambiente, opressões, machismo etc. Porém, diferente dos estados anteriores que contaram com a menção ao então presidente-eleito Jair Bolsonaro, no show de Porto Alegre isso não aconteceu. Ademais, o nome do político foi excluído da lista com governantes fascistas de diversos países, como havia aparecido nas apresentações anteriores.

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Segundo bloco e o conceito de “Resistência”

A política sempre fez parte da carreira do Roger Waters. Sempre. Desde o Pink Floyd que o músico insere reflexões sobre resistência e questionamentos sobre autoridade. Seu principal trabalho sobre isto foi o disco “The Wall” de 1979, que fala justamente sobre os efeitos psicológicos e físicos da devastação pós-guerra. Além disso, estes temas também são bastante presentes no seu mais recente álbum solo “Is This the Life We Really Want?” de 2017. Disco este que teve algumas músicas mostradas no show de forma muito emocionante, como a sensível “The Last Refugee“:

No segundo bloco do show, quatro torres surgiram no vídeo do telão. Ao chegarem ao limite da altura do palco, ultrapassaram a tela e surgiram reais, com um porco inflável entre duas delas. Eram quatro chaminés emitindo fumaça de verdade, dando a sensação real de estarmos em uma fábrica de verdade. Então, vieram as faixas “Dog”, “Pigs” e “Money”, todas com diversas críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, em “Pigs” também surgiu um segundo porco inflável, bem maior do que o outro, sobrevoando o público, com as frase “Stay Human” e “Seja Humano”.

Já durante a performance de “Brain Damage / Eclipse”, o prisma da capa de “The Dark Side Of The Moon” se torna real no meio do público. Momento inesquecível!

Foto: Divulgação

Já no final do segundo bloco, uma tempestade de verdade se aproximava. Por conta disto, Waters anunciou que o show terminaria mais cedo e iriam pular direto para a última música. Assim, a banda se despede do público com a inesquecível “Comfortably Numb“. É interessante destacar que os solos de guitarra e vocais originalmente feitos por David Gilmour, ficaram a cargo do músico Jonathan Wilson, que cumpriu com perfeição o papel.

Setlist completo:

  1. Breathe
  2. One of These Days
  3. Time
  4. Breathe (Reprise)
  5. The Great Gig in the Sky
  6. Welcome to the Machine
  7. Déjà Vu
  8. The Last Refugee
  9. Picture That
  10. Wish You Were Here
  11. The Happiest Days of Our Lives
  12. Another Brick in the Wall Part 2
  13. Another Brick in the Wall Part 3
  14. Dogs
  15. Pigs (Three Different Ones)
  16. Money
  17. Us and Them
  18. Smell the Roses
  19. Brain Damage
  20. Eclipse
  21. Comfortably Numb

Por mais que o espetáculo seja denso, reflexivo e traga à tona muitos dos problemas do mundo, a mensagem que Roger Waters nos passa é de esperança. O protagonismo de “Us + Them” é a mensagem que tudo aquilo nos mostra. Assim, muito mais do que crítica à governos autoritários, o show nos pede humanidade, sensibilidade. E Waters, muito obrigada por isto <3 

SOBRE O AUTOR

Maria Eduarda Michael

Publicitária apaixonada por shows e pelo U2.

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