Zara: a gigante da moda luta para construir uma nova imagem

A marca Zara não cansa de causar: de origem espanhola do grupo Inditex, sua linha de roupas é inspirada na […]

A marca Zara não cansa de causar: de origem espanhola do grupo Inditex, sua linha de roupas é inspirada na moda de passarelas e está em todo o mundo, sempre envolvida em alguma polêmica. A última da vez foi a história de Eliza Brichto, menina inglesa de 7 anos, que pediu à gigante da moda para ser modelo masculino.

O gesto é fofo e inusitado, visto que é mais usual esperar que meninas tenham vontade de ser modelos femininas. O pedido, feito através de uma carta, acompanhava fotos da menina com roupas da marca e dizia:

 

“Querida Zara, eu me chamo Eliza e tenho sete anos. Estou escrevendo porque gostaria de ser modelo da Zara Boys. Vocês podem pensar que é um pouco estranho que uma menina use roupa de menino, mas deixe-me contar minha história. Quando tinha quatro anos dei uma olhada na Zara Girls, mas a roupa não me convenceu; depois fiz o mesmo na seção de meninos e fiquei encantada. Agora, só vou comprar roupas lá. Sou fã número 1 de vocês, por favor, aceitem minha oferta para ser modelo na seção Zara Boys”.

Ainda que a empresa tenha respondido sem demora a carta, convidando Eliza para uma visita ao seu escritório e criando a expectativa de um posicionamento que abrace a bandeira da diversidade, vai ser difícil reconquistar o público de compradores ou fazer com que ele a odeie menos.

Não é por menos: em 2011, Zara foi denunciada por trabalho escravo em 2011 e por negligência no processo, depois que uma jovem encontrou um rato vivo dentro do seu vestido OI?

Calma, a gente explica:

TRABALHO ESCRAVO

Em 2001, uma equipe de fiscalização trabalhista em São Paulo encontrou trabalhadores estrangeiros em condições de escravidão na área de produção das peças da Zara. 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas – uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte. Naquele mesmo ano, já haviam sido encontrados 52 trabalhadores em condições degradantes; que costuravam calças da marca.

MAS COMO ASSIM?

Segundo o site Repórter Brasil, o quadro encontrado pelos agentes do poder público incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Apesar do clima de medo, um dos trabalhadores explorados confirmou que só conseguia sair da casa com a autorização do dono da oficina, concedida apenas em casos urgentes, como quando teve de levar seu filho às pressas ao médico.

RATO NO VESTIDO

Para a nova iorquina Cailey Fiesel, a situação foi mais nojenta que absurda posso falar isso, produção?. Em 2016, a jovem de 24 anos comprou um vestido da marca – famosa por fazer reproduções de roupas caríssimas a preço de banana – e depois de algumas semanas, um cheiro forte emanava do vestido. E adivinha: ERA UM RATO DENTRO DA COSTURA.

A além de processar a marca, a coitada desenvolveu uma doença causada pelo contato da pata do rato com a pele, que faz com que tenha erupções na região tocada, conhecida como “doença dos roedores”.

 

Agora, se é uma coisa fofa a Zara ser legal com uma criança ao apoiar a diversidade, enquanto estamos numa época em que essa é uma pauta frequente que “pega bem” apoiar, é. Talvez a empresa tenha um longo caminho para parar de pisar na bola e cuidar de suas roupas e higiene, antes de apoiar causas maiores.

 

 

SOBRE O AUTOR

Ana Szezecinski

Aquela do sobrenome complicado e que usa protetor solar 50. Jornalista.

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